Gestão de Pessoas

Fadiga mental: o que é e como combater

13 min de leitura | 08 de junho 2021

Você já passou por um dia em que praticamente só ficou sentado, não teve que fazer um grande esforço físico, mas ainda assim voltou para casa se sentindo esgotado? Essa sensação costuma aparecer sempre que forçamos demais a mente. Por exemplo: depois de uma prova importante, uma decisão muito complicada ou uma situação de luto, que pede muito do nosso emocional.

Quando esse contexto se repete com uma determinada frequência, pode acontecer o fenômeno chamado de fadiga mental. Esse desânimo fixo afeta as tarefas cotidianas e impede a pessoa de operar em seu melhor estado. Porém, a boa notícia é que isso é tratável. 

Confira agora mais sobre a fadiga mental. Descubra o que é, qual é a causa e como tratar. 

O que é a fadiga mental?

A fadiga mental é a sensação de que seu cérebro não está funcionando direito. Muitas pessoas descrevem como se tivesse uma neblina na mente, tudo fica mais difícil e mais lento de se fazer. Se concentrar é quase impossível e por isso tarefas simples se tornam muito improdutivas.

A fadiga mental pode ser aguda ou crônica. A versão aguda é algo de curta duração e que pode ser resolvida com um período de descanso. Na verdade, a fadiga mental aguda é algo normal e pode ser vivenciada após uma tarde estressante no trabalho, ou um dia muito agitado em casa. 

Se essas situações começarem a ocorrer com uma certa frequência e os períodos de descanso começarem a não dar conta, a fadiga mental aguda pode evoluir para o seu nível crônico. Por sua vez, esse também pode evoluir, se não tratado, e se tornar um burnout. Por isso, é tão importante já tratar essa condição no início.

 

Cansaço mental e Fadiga mental: quais são as diferenças?

Cansaço e fadiga no vocabulário são praticamente sinônimos. Os dois indicam uma indisposição. Porém, quando relacionados à temática da saúde humana, eles apresentam diferenças, que são importantes de serem reconhecidas.

O cansaço mental pode ser tratado igualmente para quando falamos de cansaço relacionado a qualquer região do corpo. Quando utilizamos muito alguma parte do nosso corpo, ficamos cansados. Isso vale para o braço, a perna e para o cérebro. Já a fadiga mental é uma sensação permanente de cansaço. 

Ou seja, ela transcende a necessidade do uso excessivo da mente para se realizar. Os sintomas vão surgir mesmo em dias em que a mente não seja tão solicitada. 

 

Sintomas da fadiga mental

Existem alguns sintomas que são muito comuns entre pessoas que passam por uma fadiga mental, como os que estão abaixo: 

  • Dificuldade de concentração;
  • Sensação de esgotamento;
  • Falta de motivação;
  • Irritabilidade;
  • Perda de apetite;
  • Insônia;
  • Bloqueio mental;
  • Perda de memória;
  • Alterações constantes de humor.
  • Angústia;
  • Tristeza.

É importante esclarecer que a fadiga mental pode levar a uma baixa da imunidade do organismo, o que tornará o indivíduo mais suscetível a outras doenças, levando a sintomas diferentes.

 

Qual é a causa da fadiga mental?

A fadiga mental está relacionada a condições do cotidiano e dos hábitos de vida. Pessoas que lidam com situações estressantes diariamente, que estão em constante incerteza, que precisam tomar decisões complicadas com frequência são as mais sujeitas a fadiga mental em seu pior estágio. 

Todas essas situações têm algo em comum que é a ansiedade. A preocupação excessiva com o futuro, a reflexão sobre o passado, manter-se demasiadamente dentro da sua própria cabeça, isso gera uma sobrecarga mental. É como um computador, que se tiver muitos processos solicitados ao mesmo tempo, vai esquentar e uma hora vai travar. O travar, no nosso caso, seria a fadiga mental. 

Muito se fala da importância do descanso em relação aos exercícios físicos, para que o corpo tenha tempo de se recuperar e assim vá evoluindo. A ideia é a mesma com a mente. Se não tiver o seu tempo de descanso respeitado, ela pode parar de funcionar direito.

Situações pontuais, mas emocionalmente desafiadoras, também são propulsoras da fadiga mental, como um divórcio, o luto e perdas materiais muito grandes. Confira abaixo algumas atividades exaustivas cognitivamente que podem desencadear essa condição:

  • Tomada de decisões, que envolvem grandes riscos;
  • Realizar muitas tarefas ao mesmo tempo;
  • Falta de sono adequado;
  • Perfeccionismo;
  • Procrastinação;
  • Dificuldade de se expressar.

 

Como tratar fadiga mental? 

A fadiga mental em sua fase aguda, de curta duração, como já visto, é algo que pode acontecer no dia a dia. Nesse caso mais simples, o melhor tratamento é um bom descanso. Um tempo para refrescar a cabeça e se distrair com o que mais gosta de fazer, além de uma boa noite de sono. 

Agora, se isso for frequente ou até permanente, o melhor a se fazer é procurar um especialista. Um psicólogo ou psiquiatra será a pessoa certa para te diagnosticar e receitar o melhor tratamento, que pode incluir até mesmo remédios. 

 

Como aliviar a fadiga mental no dia a dia

Como conseguimos observar, a fadiga mental é algo relativamente normal, que pode ocorrer como consequência da rotina que vivemos. Todos estamos sujeitos a passar por essa condição. A grande questão é não deixar isso escalar para níveis mais sérios. Você pode fazer isso, seguindo as orientações abaixo.

 

1. Boa noite de sono

A ideia de dormir entre 7 e 8 horas por noite provavelmente já é conhecida por você. Essa é a média indicada pelos especialistas para uma noite de sono revigorante. O sono é fundamental para o nosso corpo. É durante o sono que diversos processos são desencadeados, principalmente hormonais, que auxiliam na memória e na recuperação da energia. 

Além da quantidade de horas dormidas, é preciso ficar atento à qualidade do sono. Para isso, um método eficaz é seguir uma rotina antes de dormir. Ou seja, dormir e acordar sempre nos mesmos horários e até realizar as mesmas atividades antes de deitar em uma mesma ordem. Ter essa “rotina do sono” ajuda o corpo a ir se preparando para dormir, mesmo antes de se deitar. 

Evitar utilizar eletrônicos pelo menos uma hora antes de deitar é uma prática positiva para se adicionar nesta rotina, já que a luz destas telas retardam o sono. 

 

2. Alimentação equilibrada

A dieta atual, moldada para se encaixar nesse padrão de vida agitado que vivemos, prioriza alimentos açucarados, gordurosos, cafeinados e carboidratos simples. Essas são soluções rápidas e deliciosas que, em geral, trazem picos de energia, mas logo são seguidas de períodos de cansaço. 

Para evitar essa volatilidade tão grande, é essencial ter uma alimentação balanceada. Frutas, vegetais, grãos, leguminosas e carboidratos complexos devem fazer parte da sua dieta diária, para completar um quadro alimentar mais nutritivo. 

 

3. Exercícios regulares

Já está mais do que comprovado que a prática de exercícios traz benefícios à saúde. No caso do combate à fadiga mental, o exercício tem um papel importante por 2 motivos principais: a liberação de substâncias de bem-estar e do foco que a prática exige. 

Após exercícios, o corpo libera substâncias que trazem relaxamento e prazer, além disso, toda atividade física requer foco total na prática para que ela seja bem executada. Sendo assim, ao se exercitar você também estará deixando as preocupações de lado, se libertando daquilo que te preocupa por um tempo. 

 

4. Tempo para lazer

Durante a rotina de trabalho exaustiva, a nossa mente é muito solicitada. Uma forma de fazer um “carinho” nela e colocá-la para descansar é ter o seu tempo de lazer. Separe um período do seu dia apenas para fazer o que você gosta e se distrair, sem nenhuma pretensão. Leia um livro, assista uma série, comece um hobby, qualquer coisa que tire o foco das atividades estressantes do cotidiano, para algo que você goste muito. 

 

5. Desconexão 

A tecnologia é uma grande aliada  para muitas coisas, mas também pode acabar se tornando vilã, se não for dosada corretamente. A lógica de estar sempre conectado não faz bem à mente. Há um excesso de estímulos, uma necessidade velada de estar sempre disponível, além de uma urgência no consumo de informações. Tudo isso contribui para um quadro de ansiedade, que rouba energia e afeta o bem-estar. Portanto, saiba quando se desconectar. 

 

6. Rotina diária

Você costuma planejar o seu dia? Esse é um hábito muito positivo de ser cultivado. Definir horários e organizar tarefas dentro da sua semana ajuda a reduzir o estresse e também a ansiedade. 

Quando isso não é feito, a preocupação é constante em relação ao que ainda vai acontecer. Fazer esse planejamento traz mais clareza sobre o que é prioridade e otimiza as tarefas. Mesmo assim, é importante ser flexível também e aceitar mudanças que podem ser necessárias. 

 

7. Álcool fora da dieta

Uma forma que muitas pessoas utilizam para tentar amenizar a fadiga mental é o consumo de bebidas alcoólicas. Contudo, apesar de ter um efeito relaxante, o álcool também prejudica a qualidade do sono, que tem um papel importante no reparo do corpo. Logo, evite as bebidas.

 

8. Ajuda de especialista

Existem muitas formas de tentar tornar a sua rotina menos suscetível à fadiga mental e também de combater esse mal, como foi apresentado até aqui. Contudo, se nada disso trouxer resultado, é importante falar com um especialista. Em alguns casos, pode ser necessário realizar terapia e até mesmo tomar alguns remédios. 

A fadiga mental é uma típica condição do século 21, em que informações e estímulos estão sempre em excesso na nossa rotina. O desenvolvimento tecnológico tem feito a necessidade física ser cada vez menor e a mental, maior. Portanto, a necessidade de cuidar da mente é vital. 

Não negligencie o seu tempo de descanso, priorize o seu sono, coma bem e, principalmente, saiba quando desconectar. Tanto das redes e dos dispositivos, quanto de situações exaustivas e estressantes. Como qualquer outra parte do corpo, a sua mente também precisa descansar. Não espere ter uma fadiga mental para perceber isso. 

Uma situação que tem desencadeado a fadiga mental no universo corporativo é a transição do trabalho presencial para home office. Embora possua muitas vantagens, fica difícil estabelecer limites entre a vida profissional e a pessoal. Para não cair nessa cilada, confira agora algumas dicas para se adaptar ao trabalho remoto.